PRIMEIRO DIA DO LOCKDOWN
Foto: Loïc Léon
Estou vendo pessoas sem máscara, passando na chuva, de bicicleta na beira do canal da avenida Jequitinhonha e, como ainda não são 7 horas, talvez seja cedo para eu fazer um julgamento quanto ao respeito ao tal bloqueio total.
Na minha rua, só vou dizer que esse lockdown é para valer se o verdureiro, cujo tabuleiro fica no muro do outro edifício, não estiver sem camisa, descalço e sem máscara. Já olhei várias vezes e ele ainda chegou. Eu acordei às 5:30 e de vez em quando vou espiar se ele já está com sua carroça de verduras e frutas. Mas, até agora não veio; então, talvez tenha lockdown de verdade em Recife. O verdureiro é o meu termômetro, minha balise de análise para saber se o bloqueio total está funcionando mesmo.
Virgem Maria! Acabou o lockdown na minha rua. O verdureiro chegou e, apesar de estar calçado e de camisa, -também pudera, está chovendo-, sua máscara está pendurada na mão. Ele vai dizer que é serviço essencial, pois verdura é comida e que carroça não segue o rodízio de veículos. O pior é que, em volta dele, já se achegaram os costumeiros fregueses e colegas para jogar conversa fora… Vou ficar na minha casa.
Yaracylda Coimet
Recife, 16/05/2020






