Mostrando postagens com marcador AMOR.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador AMOR.. Mostrar todas as postagens

MINHA MENINA FLOR (*)



Para Janaína, Alan, Arthur e Sofia
Flores do jardim da minha Vida




        FOTO: JANA KIRSCHNER




    Quem sabe os caminhos do Amor? 

    Facilmente, emaranhámo-nos nos da paixão; 

    que tanto podem levar ao amor, 

    como se evaporarem em decepções…

 

 

    Meu botãozinho queria amar, mas se apaixonou. Paixão inquieta, lateja, explode. Amor serena, palpita, ilumina, eclode, desabrochando o ser. 

 

    Paixão de botãozinho é fogo, termina dando em cravo. Mas aquela menina-botão estava longe de ser boba, logo percebeu que aquela não era a rota do Amor. 

Mudou de trajetória, guardando preciosamente seu cravo. 

 

    De repente, na virada de uma esquina, novamente a Paixão disfarçada de Amor pulou em sua frente. A menina-botão se encanta, põe-se a sonhar. 

 

    Tudo lhe parece tão perfeito! O botão começa a desabrochar. Meio-botão, meio-flor, a menina sente que está no caminho do Amor. Quase todos sentem isso! 

 

    - “Olha lá, meu denguinho, não vai te machucar. Já cruzei um caminho semelhante, mas não era o do Amor. Eu bem sabia disso. Era o do encantamento, do deslumbramento de afinidades intelectuais. Dele entrei e saí ilesa, porque não me apaixonei”.

     

    Mas a menina-quase-flor não percebe que entre os caminhos da Paixão e do Amor pode haver a bifurcação do encantado. 

 

    Ah! Essa menina-botão-flor é fogo, já pensa que é rosa! E como a danadinha perfuma o ar em sua volta com seu fascínio. 

 

 

    Ela é maravilhosa! 

 

 

    Porém, o senhor-encantamento, como já era de se esperar, se encantou. Cruzou o oceano; depois, voltou desencantado. Ou melhor, desencantando meu botão-flor

 

    Ela, que já estava mais para flor do que para botão, começou a desconfiar de que nos roseirais do mundo há espinhos. Mas, nem por isso, cessou de perfumar a vida com seu encanto. 

 

    Ela é daquelas plantinhas que têm aparência delicada, mas cujos caules não se dobram facilmente…

 

    Cheia de viço, foi traçando novos caminhos, com seu cravo sempre a tira-colo. 

     

    Quase ninguém percebeu ao certo quando as pétalas daquela flor-meio-desabrochada se aveludaram e se encorparam. Já não era mais um botãozinho, havia tempos. 

 

    E quem regava minha menina? Ela mesma extraía da vida sua água e seu odor. Não lhe faltaram familiares amorosos querendo ajudá-la; no entanto, ela queria extrair sua água, sua terra, seu ar, seu odor.

 

    Mas é muito árduo se auto-regar. Toda flor precisa de seu jardineiro fiel. E eis que surge um jardineiro e, de imediato, planta a flor-quase-desabrochada em seu canteiro. 

 

    Mas ela ainda duvida que esteja no caminho do Amor. Outras vezes anunciara aos ventos que o Amor chegara, e ele não chegou. 

     

    Precavida, como se tornara, tomou por bem não sair cantando a plenos pulmões que o havia encontrado. Recolhe-se, põe-se em sua redoma. Nem fala muito sobre esse jardineiro, pois poderia estar novamente na bifurcação do encantado. 

 

    Em sua volta, as pessoas não entendem muito bem o que está fazendo aquela quase-flor. Nem ela mesma ainda tem certeza. 

 

    No entanto, quando se partilha amorosamente o mesmo teto, o mesmo pedaço de pão e de ovo, unidos e esperançosos, como se estivesse degustando caviar, não dá mais para duvidar. Ela sabe que encontrou o caminho do Amor. 

 

    E que este Amor é também partilhado com seu cravo. Resta mantê-lo e alimentá-lo. 

 

    Então, refaz seu mundo, retraça sua caminhada. 

 

    Está diferente? 

    -Sim. Minha menina desabrochou completamente. Minha menina virou Flor. 

 

 

 

**************************** 

 

(*) Escrito primeiramente em 03-11-11, em Recife.