“MOENDO IDEIAS, ESCOANDO TEXTOS”
Yaracylda Coimet
Ideias, letras passadas na moenda, escoadas em curtos textos... Uma jangada atrevida, obedecendo ao desejo daquela que a conduz, singra com sua frágil ponta de grafite o plácido lago de celulose. Lápis -companheiro fiel- sabe que todo esse ímpeto resvalará na tela de cristal líquido, onde ele, tão imprescindível à sua mestra, não aparecerá. E as folhinhas de celulose, que por respeito à natureza são rabiscadas frente e verso, em letras miudinhas, também desaparecerão no moderno artefato. Vistos, vividos ou imaginados, os fatos são transfigurados. O reflexo suplanta a imagem e se torna real, materializado nas letras. Passou pelos olhos da moenda, ou triscou sua memória, vira texto! Puros sumos de imaginação transbordante, minha cana verdinha, servidos a internautas curiosos. Não têm contraindicação, não adoçam nem engordam. Podem ser consumidos sem moderação. Mas, por favor, sejam generosos, ponham filtros de indulgência em seus olhos. Às vezes, na rapidez da moagem, caem impurezas da cana no caldo, pois o coador da moenda, sem perceber, pode deixar passar esses resíduos nocivos à nossa língua.
Lembro que um bom pernambucano, criado em engenhos, certo dia me disse: “Caldo de cana é bom mesmo é com pão doce”. Caros leitores, o pão doce é com vocês.





