AVORES. Amores de Avós são sublimes

AVORES 
Amores de avós e netos são sublimes


Para Matilde e Pedro, com toda minha empatia

Foto: Matilde Gomes





Na vida há amores e amores. Mas, dois deles são únicos: um inaugural, novinho em folha, espontâneo e destemido; o outro, sacramentado e cristalizado na experiência com gosto de despedidas iminentes. Um quer tudo experimentar, o outro quer tudo guardar enquanto pode.
Aquela avó se inquietava em seu silêncio de um amor que, embora se declarasse constantemente, não podia ser vivenciado, trocar toques e carícias, confidências ao pé do ouvido. Aquele amor já não podia ser respirado junto ao ser amado.
Como fazer para tê-lo em seus braços sem se arriscarem mutuamente? Quem ama cuida, preserva. Pensa no outro com cuidados e carinho. Seus pensamentos eram povoados de ideias mirabolantes; pensava em soluções mágicas que permitissem seu reencontro com o neto. Seria um encontro repleto de amor, devaneios, alegrias, brincadeiras e leituras, como o menino tanto gostava.
As histórias que leria para ele, os comentários que ele faria… Todos os livros comprados e guardados, esperando serem compartilhados com o neto amado, seriam folheados a quatro mãos e percorridos por quatro olhos cheios de admiração e curiosidade, por ele; e, cheios de sabedoria e devotamento, por ela.
Mas, esse dia não chegava nunca! Nem tão cedo acabaria a Pandemia... 
Como fazer para administrar ambas saudades? 
  • “Sou adulta, sei como lidar com minha saudade, mas ele é tão pequeno ainda… Com seis anos não se consegue segurar os sentimentos”. 


Na sua inocência de avó protetora e provedora, acreditava que estava conseguindo muito bem administrar sua saudade. È que avós se tornam crianças. Administrar sua saudade, que bobagem! A saudade é o Saci Pererê dos sentimentos, você não a vê porque ela ela tem a carapuça da nostalgia e da alegria das boas lembranças ao mesmo tempo. Ela só some de vez quando se vê o ser amado. Mas, aí ela já passou, não é mais saudade, ela desapareceu no reencontro.


Seu problema era justamente como retirar a carapuça da danadinha que crescia  a cada dia que passava, sem poder pôr o seu denguinho no colo e lhe dar mil beijinhos!


os telefonemas e as videochamadas são curativos modernos para este mal. Puros paliativos!! Apenas diminuem a saudade, mas não a curam. 


Dias de visita de netos é sempre inaugural; todos eles são únicos e, por isso, tão originais. Vovós e vovôs preparam tudo com muita antecedência, mil dengos e surpresinhas. Mas agora, esses dias são lembranças preciosas. 


E foi assim da última vez. De quando data o último encontro? Pouco depois de 12 de março, trágico dia da deflagração da Pandemia em Recife. Que traição, justamente no dia do aniversário da cidade! No próximo encontro, ela não será pega de calças-curtas, já comprou e reservou novos livros de história. Não vai passar o mesmo vexame de ter que reprisar livros que ele já conhecia de “cor e salteado”.  


Do outro lado do salão, na rede da varanda, o avô sem nada dizer, ouvindo-a pensar em voz alta, permanece calado. Ele pensa consigo, sem ousar verbalizar: “Ela se acha dona desse neto. Mas eu também o aguardo com muito carinho e, talvez, minha saudade seja maior do que a dela, porque eu, eu não digo nada. Até mesmo para poupá-la.” 


Na surdina, alguns o avôs preparam suas estratégias; eles sabem muito bem do que os garotos gostam de brincar e que as vovós não sabem ou não gostam de fazer. Avô sabe como “boicotar” o xamego da avó com os netos. Tem alguns que escolhem propositadamente, ainda que inconscientemente, coisas de homem para chamar a atenção dos netos meninos. E quanto às meninas, é só comprar tudo o que aquelas caprichosas gostam de pedir. A boneca que é  último lançamento da coleção. Aquelas sandalinhas de peruinhas, os brincos e colares e outros apetrechos, que nem a mamãe nem a vovó vai dar. Ele os comprará, às escondidas e, de sopetão, oferecerá os presentes proibidos sem dar chance de uma interdição da raia feminina. Nesses casos, só resta às vovós resmungar algo do estilo “seu avô não toma jeito, sua mãe vai ficar danada quando vir isso…”.


Afinal de contas os AVORES são compartilhados entre netos  e avós e os avôs também... Não é patrimônio único nem de um nem do outro. Enquanto as avós gostam muito de ler ou contar histórias para os netinhos; os avôs preferem lhes confidenciar suas aventuras e trelas. Tudo que provoca o riso da meninada. Por vezes, gostam de comentar filmes que já assistiram quando “mais moços”. Os que têm memória prodigiosa conseguem reproduzir com tanta fidelidade as cenas que a criançada tem a impressão de que também viram o mesmo filme. Bom, quando não se tem memória de elefante, a imaginação pode completar os detalhes esquecidos.  Além disso, os vovôs possuem um trunfo infalível: geralmente são eles que sabem consertar os brinquedos quebrados. São eles que têm caixa de ferramenta e toda uma panóplia capaz de conquistar horas de atenção e admiração dos seus netos e netas. Algo é certo, os netos sempre saem ganhando nessa disputa velada de avores.


Mas as avós gostam de poder contar com essa ajuda dos vovôs, pois, enquanto eles se deliciam com os netinhos, elas preparam a mesa, dão uma descansadinha… Afinal elas há muito passaram dos vinte anos!


Tanto Amor e devoção, cheios de sabedoria, são atributos dos avós. Os avores, frutos do amor deles e de seus netos, têm sabor renovado de esperanças, mas também de um “até não sei quando”. Por isso, vivem intensamente cada milésimo de segundos de seus sentimentos; não com desespero, mas com a sabedoria de quem já aprendeu a viver e que sabe aceitar a vontade do Criador.


AS CRIANÇAS amam com UM AMOR CRISTALINO, inocente, corajoso, repleto de esperanças. São originais. Seus amores se renovam a cada instante e se repousam NO LAGO PLÁCIDO DA SABEDORIA DO AMOR DOS AVÓS.  Que os pais nunca ponham seus barcos pesados no meio desse lago amoroso; não firam as águas cristalinas dos avores. Os pais têm para com os filhos e com seus próprios pais um amor intenso, devotado, destemido, consciente e cuidadoso. Um amor visceral! Mas eles não têm avores. Esse sentimento não lhes pertence. Ele só floresce no coração e na mente daqueles que estão aprendendo a amar e que se fortalecem no sentimento daqueles que, de tanto terem amado, já possuem o amor sábio, humilde e devotado.


Assim é o sentimento que une aquela avó e seu netinho tão esperado. Ele viria vê-los. Ela já havia bolado um plano. Um dia, passando em frente da TV, recordou que assistia com seus filhos, quando eram crianças, as aventuras de Gasparzinho, o fantasminha camarada. E que criança já não brincou de se disfarçar em fantasma? Brincadeiras que desmistificam os medos criados pelas histórias de terror. Bastava conseguir a adesão da nora e do filho.


Naquela noite, em desdobramento, foi visitá-los. Os quatros se encontraram, como de costume, durante o sono. Na manhã seguinte, todos pensariam se tratar apenas de um sonho recorrente, oriundo da vontade que sentiam em ter um reencontro. Logo ao despertar, as reminiscências do encontro sonambúlico afloraram-lhe à imaginação. Ela foi aos guarda-roupas procurar um lençol florido e bonito, pois seu fantasma seria amoroso e carinhoso. Lembrava ao mesmo tempo das fantasias que comprara ou fizera para os filhos quando crianças. Quantos piratas, pierrôs, dançarinas, colombinas, havaianas, arlequins, palhaços e papangus! Sim, estes últimos são famosos em nossos carnavais. Cobertos da cabeça aos pés, por eles nenhum coronavírus passaria. Também não passaria através do lençol que ela escolheu, um cujo tecido era bem grosso. E além disso estariam usando máscaras...  


Tudo pronto, todo arsenal preparado, álcool em gel próximo à porta, a cadeira estrategicamente colocada no centro da sala, de modos que ao entrar o menino a avistasse. Ela, ali, o estaria esperando com todo seu avor. 


De repente o barulhinho da maçaneta da porta que ficara aberta, só encostada esperando o filho, a nora e o neto tão desejado entrarem!


O menino tira às pressas os sapatos, os pais passam-lhe álcool em gel nas mãos… Ele se joga nos braços da vovó amada!
Ali está a vovó de joelhos, para ficar do seu tamanho e envolver, com seus braços cobertos pelo lençol, todo o corpinho do garotinho. E nesse instante, caiu a carapuça da saudade, vencida pelos avores da avó e do netinho.

Yaracylda Coimet
Recife, 05/08/2020

MINHA MENINA FLOR (*)



Para Janaína, Alan, Arthur e Sofia
Flores do jardim da minha Vida




        FOTO: JANA KIRSCHNER




    Quem sabe os caminhos do Amor? 

    Facilmente, emaranhámo-nos nos da paixão; 

    que tanto podem levar ao amor, 

    como se evaporarem em decepções…

 

 

    Meu botãozinho queria amar, mas se apaixonou. Paixão inquieta, lateja, explode. Amor serena, palpita, ilumina, eclode, desabrochando o ser. 

 

    Paixão de botãozinho é fogo, termina dando em cravo. Mas aquela menina-botão estava longe de ser boba, logo percebeu que aquela não era a rota do Amor. 

Mudou de trajetória, guardando preciosamente seu cravo. 

 

    De repente, na virada de uma esquina, novamente a Paixão disfarçada de Amor pulou em sua frente. A menina-botão se encanta, põe-se a sonhar. 

 

    Tudo lhe parece tão perfeito! O botão começa a desabrochar. Meio-botão, meio-flor, a menina sente que está no caminho do Amor. Quase todos sentem isso! 

 

    - “Olha lá, meu denguinho, não vai te machucar. Já cruzei um caminho semelhante, mas não era o do Amor. Eu bem sabia disso. Era o do encantamento, do deslumbramento de afinidades intelectuais. Dele entrei e saí ilesa, porque não me apaixonei”.

     

    Mas a menina-quase-flor não percebe que entre os caminhos da Paixão e do Amor pode haver a bifurcação do encantado. 

 

    Ah! Essa menina-botão-flor é fogo, já pensa que é rosa! E como a danadinha perfuma o ar em sua volta com seu fascínio. 

 

 

    Ela é maravilhosa! 

 

 

    Porém, o senhor-encantamento, como já era de se esperar, se encantou. Cruzou o oceano; depois, voltou desencantado. Ou melhor, desencantando meu botão-flor

 

    Ela, que já estava mais para flor do que para botão, começou a desconfiar de que nos roseirais do mundo há espinhos. Mas, nem por isso, cessou de perfumar a vida com seu encanto. 

 

    Ela é daquelas plantinhas que têm aparência delicada, mas cujos caules não se dobram facilmente…

 

    Cheia de viço, foi traçando novos caminhos, com seu cravo sempre a tira-colo. 

     

    Quase ninguém percebeu ao certo quando as pétalas daquela flor-meio-desabrochada se aveludaram e se encorparam. Já não era mais um botãozinho, havia tempos. 

 

    E quem regava minha menina? Ela mesma extraía da vida sua água e seu odor. Não lhe faltaram familiares amorosos querendo ajudá-la; no entanto, ela queria extrair sua água, sua terra, seu ar, seu odor.

 

    Mas é muito árduo se auto-regar. Toda flor precisa de seu jardineiro fiel. E eis que surge um jardineiro e, de imediato, planta a flor-quase-desabrochada em seu canteiro. 

 

    Mas ela ainda duvida que esteja no caminho do Amor. Outras vezes anunciara aos ventos que o Amor chegara, e ele não chegou. 

     

    Precavida, como se tornara, tomou por bem não sair cantando a plenos pulmões que o havia encontrado. Recolhe-se, põe-se em sua redoma. Nem fala muito sobre esse jardineiro, pois poderia estar novamente na bifurcação do encantado. 

 

    Em sua volta, as pessoas não entendem muito bem o que está fazendo aquela quase-flor. Nem ela mesma ainda tem certeza. 

 

    No entanto, quando se partilha amorosamente o mesmo teto, o mesmo pedaço de pão e de ovo, unidos e esperançosos, como se estivesse degustando caviar, não dá mais para duvidar. Ela sabe que encontrou o caminho do Amor. 

 

    E que este Amor é também partilhado com seu cravo. Resta mantê-lo e alimentá-lo. 

 

    Então, refaz seu mundo, retraça sua caminhada. 

 

    Está diferente? 

    -Sim. Minha menina desabrochou completamente. Minha menina virou Flor. 

 

 

 

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(*) Escrito primeiramente em 03-11-11, em Recife.








MARIE ANTOINETTE . À tous ceux qui échapperont au naufrage ou réussiront à l’empêcher, car ainsi je le souhaite



MARIE ANTOINETTE AU BORD DU NAUFRAGE
 
À tous ceux qui échapperont au naufrage ou réussiront à l’empêcher, car ainsi je le souhaite
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
La barque a chaviré et chaviré encore...
 
Ce fut à cause de Marie qui ne savait naviguer
 
Là-bas dans le croissant vert, jadis si prometteur
 
Des cigales aliénées 
 
Plutôt que des fourmies engagées
 
S’y sont installées
 
Lentement bombardé
 
Le croissant vert est à présent miné
 
À la merci de la moindre étoupille
 
L’équipage craint le froid et le pire
 
Mais du paquebot glorieux la Reine est éprise
 
Sans écouter ce que les sirènes lui disent
 
Par le poids de son glamour est condamnée
 
Dans le passé ancré le beau bâtiment rouillé
 
Au présent tournant le dos
 
En barque échouée s’est tranformé
 
Et la Reine luxueuse nostalgique et folle
 
Sans même y songer avec lui a sombré
 
Si elle avait été simple comme un petit poisson et appris à nager
 
Elle aurait pu sortir le navire francophone de la mer déchaînée...
 
 
Yaracylda Coimet. 
Récife, le 25 novembre 2017

 

GENTE GROSSA e GENTE FINA. O moço fino atrás de mim, acompanhado de uma dama loiríssima...Fico aqui pensando, será que o moço fino do pick-up teria, algum dia na sua vida, feito algo semelhante?.

GENTE GROSSA e GENTE FINA



Para meu Leleco, 
que riu muito com essa história






Do outro lado da rua, ele faz um rápido aceno ao companheiro que está bebericando com outros homens, em frente de sua banca de sapateiro, lá em Zefinha. Leio no letreiro improvisado, escrito à mão: barraca da Zefinha. 


Atravessa a pista, na frente do meu carro, que está parado. Na barraca, afasta o colega com o cotovelo direito e, com a mão esquerda, dá uma botada na garrafinha de água mineral, que a barraqueira lhe passa por entre as grades da janela. Até barraquinhas são gradeadas. Uma questão de segurança? Paranoia? Vai saber! Afasta-se um pouco, para não molhar os companheiros, passa água mineral nas mãos. Com o restante do conteúdo lava o rosto.


-“Uma Pitú, Zefinha!” Vai gritando bem alto, para que a vendedora, que já se afastou, possa ouvir de onde estiver.


Um bom gargarejo com o primeiro gole, para limpar a garganta. E depois toma uma lapada de uma só vez. Em seguida, agarra uns palitos, prevendo a futura limpeza dos dentes. Dá para perceber que se trata de um rapaz que prima por sua higiene bucal. Meticuloso, assua o nariz num guardanapo, no primeiro que encontra. E chega a vez de limpar os pulmões. Num escarro fenomenal, o catarro amarelo esverdeado é lançado aos pés do sombreiro, colando-se às raízes expostas da árvore. Bom, depois de tanto esmero, o moço bem merece um almoço de rei. 


O sinal abre, pela segunda vez, mas os carros nem avançam. Que engarrafamento danado! O motorista de trás, dá uma buzinada das que desentopem qualquer ouvido resfriado. Mostro-lhe amistosamente o polegar e aponto para o sinal. Não tenho culpa se ninguém pode avançar. Mas, ainda bem que não posso ir rápido. Bendito engarrafamento que sacia minha curiosidade! Não dá para escrever ao volante, mas já imagino essa cena no papel. 


Novamente sinal verde. Avanço um metro. Agora, tenho que torcer o pescoço para ver o que está acontecendo no banquete da barraca. Que pena! Não posso ouvir as conversas. A julgar pelo eco das gargalhadas, devem ser muito interessantes. Tapinhas nos ombros uns dos outros, cotoveladas. Muitas gargalhadas. 


Fico a imaginar o que aqueles homens podem estar contando na frente do menino, que deve ser o filho da barraqueira. Posso ver a montanha de comida no prato do moço meticuloso, aquele que “cuida tanto da higiene”, e que agora parece esfaquear um bifão. O brilho do sol incide na faca de cozinha, que vai e vem. Segue devorando o feijão com arroz. Rega tudo com a branquinha, que é para fazer a digestão e não ficar com mau hálito. Seu companheiro da esquerda dá tapinhas na pança. Bom sinal. Quer dizer que comeu bem e que está muito satisfeito com seu festim. Grande satisfação. Foram várias tapinhas na barriga. 


Mas que falta de sorte! O sinal abre de novo. Desta vez, não vai dar para remanchar. O moço do carrão, desses que só gente fina tem, já está me encarando com seus faróis altos. Devoro-te! Já deu para entender, colega. Estou fora! Vou avançar.


Certas horas, os engarrafamentos deveriam ser piores. O carro da frente já se distancia de mim. Infelizmente, tenho que engatar uma segunda e me afastar ainda mais. 


O moço fino atrás de mim, acompanhado de uma dama loiríssima, está muito impaciente. Abaixa o vidro, solta um monte de palavras bonitas. Já tentou duas vezes subir na estreita calçada. Mas, seu lindo pick-up importado, novíssimo, cabine dupla, não cabe entre os postes e os muros das casas. As motos, sim. Estas fazem a festa! Mas tudo isso não tem importância. O que me deixa insatisfeita é que não dá para ver o que vai acontecer quando aquela morena rechonchuda, de mini blusa e calça legue, que está atravessando a rua, passar defronte da barraca de dona Zefinha. Será que ela também vai almoçar lá? 


A última imagem que vejo do moço da barraca, pelo retrovisor, é de pura ternura com o vira-lata que está deitado próximo a seus pés. Abaixa-se, acaricia o bicho moribundo. Oferece-lhe comida na boquinha. Fico aqui pensando, será que o moço fino do pick-up teria, algum dia na sua vida, feito algo semelhante?


Yaracylda Coimet
Recife, 23/10/14

DON JUANITO. Nuestro Juan se fue Pero su amor se quedó En nuestros corazones....¡Duerme, duerme Juanito Que tu madre te está esperando, Juanito!

DON  JUANITO
 
A Borjita



 
Nuestro Juan se fue
Pero su amor se quedó
En nuestros  corazones

¡Feliz suerte Juanito!

Aunque  lejos, estamos cerca de ti
Contigo llevaste tus sueños
Sin que nadie lo sepa
Querías resguardarnos
Y para sosegar nuestros corazones
No hablaste del  tuyo

Estabas lleno de amor
Más especialmente amaste a las mujeres
Y entre otras a las madres
Tenías por ellas una gran admiración
Y venerabas a la tuya
Ahora estaréis juntos Tú y Ella

Me dijiste un día
Que una madre es más fuerte
Que todos los hombres
Pues, pueden ser pequeñas y frágiles
Pero tienen siempre la fuerza
Para cuidar de sus niños y para que
Todos los hombres sean
Un día sostenidos por una mujer

¡Eres seductor Juanito!
¿Cómo no?
Te dieron el nombre del mayor
Coquetón de todos los tiempos
Pero no lo hiciste por mal
No tienes la culpa puesto que viviste tu nombre
No fuiste malo como el Don Juan
Fuiste un eterno enamorado
Todavía sufrías mucho con las separaciones
¡Ojalá no quieras coquetear con las vírgenes del cielo¡

Fuiste un amigo leal
Muy buen padre
Y no te faltarán ángeles
Para acogerte
Canto como Mercedes Sosa:
¡Duerme, duerme Juanito
Que tu madre te está esperando, Juanito!

Yaracylda Coimet
Recife, 18/05/2015

MARIA ANTOINETTE À BEIRA DO NAUFRÁGIO. No passado o belo paquebot se enferrujando Em barca furada foi se tornando E a Rainha luxuosa afundou sem nem pensar....

MARIE ANTOINETTE À BEIRA DO NAUFRÁGIO

Aos que têm ouvidos para ouvir e olhos para ver e juízo para entender





A barca virou, tornou a virar
Foi por causa da Maria que não soube navegar...
E lá no vale do crescente verde
Outrora tão promissor
Se instalaram mais cigarras alienadas
Que formigas antenadas
Paulatinamente bombardeado
O crescente verde está minado
A mercê do estopim
A tripulação temendo o naufrágio e o fim
Às glórias do passado agarrada
Mesmo por tantas sirenes avisada
Pelo peso de seu glamour que a condenou
O presente se lhe escapou
No passado o belo paquebot se enferrujando
Em barca furada foi se tornando
E a Rainha luxuosa afundou sem nem pensar
Se ela fosse simples como um peixinho e aprendesse a nadar
Tiraria a francofonia das ondas revoltas do mar


Yaracylda Coimet
Recife 25-11-2017